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sábado, maio 22, 2010

Achtung, Baby

Um pouco de história: o grupo vulgarmente conhecido como Baader-Meinhof, o nome de dois dos seus membros mais célebres, foi uma organização terrorista que levou a cabo diversas acções sangrentas, principalmente durante aos anos 70. Agregavam jornalistas, advogados, estudantes e, entre outros, tipos que gostavam de fazer uns estragozitos, porque era uma cena bué da fixe. Começaram com uma bombita numa loja de Frankfurt e quando se deu por eles já estavam a rebentar com a embaixada da RFA em Estocolmo e a sequestrar um avião da Lufthansa. Foram, em determinada altura, o principal foco de instabilidade da ex-RFA. As autoridades tentaram conter o clima de crispação, mas, apesar de tudo, o grupo gozava uma certa popularidade junto de certas camadas da sociedade germânica e mesmo a simpatia de jovens idealistas espalhados pela sociedade ocidental, na ressaca da revolução cultural iniciada uma década antes. O grupo em si rejeitava o epíteto “Baader-Meinhof” e auto-denominava-se “Facção Exército Vermelho”, por ser, digamos, muito mais pomposo.
Chega de história, há um grande filme (tem mais de duas horas e meia) que podem ver sobre o tema.
Estava aqui eu a meditar… Exército Vermelho… violência… apoio popular… militantes com diferentes profissões… uau, a história parece que se repete! Eis o que podia ser um cartaz da polícia alemã dos anos 70, parcialmente actualizado para esta época:

domingo, maio 09, 2010

O Grande Artista

Um putativo candidato ao Rui Óscar.
Uma comédia, para uns; uma tragicomédia, para outros. Mas surpreendente, sem dúvidas.
Este filme é uma bala directamente ao coração do Paulinho.
O humorismo português está em grande. E nem é preciso nenhuma produção fictícia.

Um Secretário de Sonho

A secretária. Essa peça vital ao funcionamento de um escritório, uma mulher por vezes lasciva, emprenhadora de fantasias proibidas, aquela que se dobra com a camisa desabotoada sobre o monitor e se agacha para apanhar o agrafador caído com uma torção libidinosa, destacando todo o comprimento das suas longilíneas pernas revestidas com uma suave liga negra, tirando o público masculino do sério.

Este é o lado feminino. E o lado masculino?

Pois, o Secretário. Essa peça incompreendida de vários onzes, um defesa por vezes letal, especialmente para a sua própria equipa, aquele que acertou melhor com urina na cabeça do Nuno Luz do que nos cruzamentos para a área e que abria tanto o seu corredor como as bocas dos adeptos, tamanha a incredulidade. Perscrutando o seu currículo, também se pode dizer que Secretário tirou muita gente do sério: uma transferência para o Real Madrid (algo que levou os adeptos madridistas ao desespero e Beto à mais roída inveja), uma assistência para Acosta (que fez Chainho arrancar os cabelos que não tinha) e uma conversa mais que sensual com a Paula (que nunca deve ter recebido o que lhe era devido).

Secretária vs Secretário. Como seria a conjugação possível destes dois mundos? Eis uma hipótese visual:

quinta-feira, abril 29, 2010

A moustache by any other name would look as fluffy.

Corria o ano de 1996, ano mítico para a história do Sport Lisboa e Benfica em que após um início de época imparável, o "glorioso" descambou para um dos maiores cocós futebolísticos de que há memória.

Parte integrante de uma “equipa-maravilha”, como chegou a ser vaticinado no início, onde pontificavam, entre outros, craques como Hassan, Mauro Airez, Luiz Gustavo e Martin Pringle….o Matador - como era conhecido entre os colegas do chope, talvez por ser ele o fornecedor da carne para os churrascos - chega ao Benfica vindo do São Paulo do Brasil para fazer meia época… O suficiente para marcar o clube da luz e os nossos corações.

Dono de uma técnica invejável e de uma capacidade física notável, Valdir sobressaía fortemente devido à sua farfalhuda concentração capilar no lábio superior, facto que lhe granjeou o cognome de “Valdir Bigode”, que posteriormente lhe foi muito útil aquando da sua transferência para a Arábia Saudita, mas vamos por partes.

Poucos segundos depois de nascer, Valdir já granjeava o seguinte comentário da parteira: “Pô gente, essi minino vai ser jôgadô dji futchibou!, olha só pra essi bigodji!” (é preciso relembrar que estávamos no inicio dos anos 70, e nessa altura ter bigode era um dos requisitos para se ser o verdadeiro futeboleiro… mais ou menos o que se passa hoje em dia com o Cabelinho à Maniche). Aí ficou então traçado o destino de ‘Valdirzinho’ – como era conhecido pelos amigos da favela - iria ser jogador da bola!

Após a formação futebolística, onde pontificou nas equipas de futsal, futebol de praia, futvólei, futminton e futby da colectividade do seu bairro-natal, eis que chega a oportunidade de se estrear nas ‘grandes ligas’ ao serviço do Vasco em 1992, ganhando grande admiração da torcida e também por parte dos colegas, nomeadamente de Roberto Dinamite que disse: “…o Valdir além de ser um grande goleador, é também um excelente cortador de carnes.”

Ao fim de três épocas gloriosas, em que Valdir conquistou uma série de troféus (entre eles o de melhor picanha e o bife mais tenrinho do Rio de Janeiro), foi contratado por outro histórico, vulgo o São Paulo. Seria aqui que a sua performance no campo da charcutaria e abates de gado atravessaria o Atlântico onde os responsáveis benfiquistas, atentos como sempre e com necessidade de organizar uma tainada, e sabendo de antemão que as melhores carnes são as da América do Sul, decidiu adquirir os serviços de Valdir Bigode.

Em plena época de 96/97, numa fria manhã de Dezembro, aterrava o voo número 457 da Varig no aeroporto de Lisboa… Voo histórico nos anais benfiquistas, pois ao mesmo tempo chegava Valdir à Doca de Santo Amaro no interior de um contentor vindo de Terras de Vera Cruz que continha também, entre outros, Lúcio Wagner e Luiz Gustavo sendo os únicos que resistiram à fome e peste na extensa área de 6 m2 do contentor – o mesmo já não se pode dizer das grandes promessas que acompanhavam o craque, nomeadamente Doricleivison Jr. e o infeliz Marcelo Ramiro Camacho, vedeta do Bangu, que durante a viagem foi abusado sexualmente pelos colegas, que o apelidaram ‘carinhosamente’ de Ho.

Mas Valdir Bigode chegou enfim aos píncaros do afecto da massa associativa encarnada, não só pelo seu futebol estonteante mas também por patrocinar uma cadeia de roulottes de bifanas e couratos nos arredores do estádio da luz, razão pela qual o seu colega de equipa Martin Pringle apanhou várias diarreias fulminantes, resultando nas suas correrias desenfreadas no intervalo dos jogos em casa… Quem se queixava era Bermudez, que durante os estágios levava uma mala cheia de vaporizadores ambiente para disfarçar o cheiro, resultando na sua ida para a Argentina… O colombiano nunca mais foi o mesmo.

Mesmo demonstrando toda a sua qualidade (futebolística e de charcutaria), o Sr. Bigode transferiu-se no final da época de volta para o Brasil, nomeadamente para o Atlético Mineiro, dado terem surgido abaixo-assinados e várias manifestações para o regresso do jogador: aparentemente havia várias famílias ansiosas pelo regresso do matador e das suas carnes.

Futuramente, Valdir passou pelos Emirados Árabes Unidos onde representou o Al Nasr, acabando a sua frutuosa carreira no Al-Nassr da Arábia Saudita.

Bigode possui hoje uma cadeia de talhos e casas de abate, continuando a sua lenda de Matador, dando aulas de xadrez a deficientes mentais nas horas vagas, pois segundo ele: “Faz-me lembrar os tempos em que brilhei no Benfica”.

E sim, Valdir ainda hoje ostenta o seu bigode com orgulho!


Post Scriptum Cromatium: Este arroto com leve odor a bolo alimentar foi regurgitado pelo omnipotente SEPH, do blog "O Dia Seguinte". Para quaisquer reclamações, visitem o referido site e demonstrem toda a vossa indignação para com o escriba. Bem Hajam.

domingo, abril 18, 2010

A Bola - Será a pior capa de sempre?

A 25 de Março de 1996, o jornal "A Bola" tem esta capa, dividida em 4 assuntos:

- Gaston Taument a caminho do Sporting
- Beto a caminho do Ajax (houve anos em que era o Real Madrid!)
- Silvino operado
- Rui Costa (com a frase do costume enquanto esteve fora - "um dia regressarei ao Benfica"

Taument acabou por vir para o Benfica e foi o flop já conhecido.
Beto foi só no final da carreira para o estrangeiro, tendo ido para um clube de 3ª plano de Espanha
Rui Costa regressou sim, quando já não aguentava com as pernas !

Que grande capa, obrigado ao jornal A Bola

segunda-feira, abril 12, 2010

Conversa Moderna

- Então, Pedro, gostas desta ideia que eu tive?
- Isto é para o Carnaval, certo?
- Qual Carnaval, qual quê! Isto é verdadeiro espírito dos anos 80! Está de volta e em força, nos salões de beleza e spa’s não se fala de outra coisa! Prepara-te que a laca e os chumaços vão voltar a estar na berra!
- Ó… ó Miguel… não sei, pá…
- O que é que foi?
- Achas que este sapatinho me fica bem?
- Ouve, man, é do melhor! Nunca estiveste tão bem, pá! ‘Tás lindo, pá!
- E esta meiinha branca… pá, não sei… eu tenho um estilo mais sóbrio, percebes?
- Man, queres dar o salto para um clube inglês ou não?
- Ó Miguel, eu já vim de lá…
- Mesmo assim! Tens que dar nas vistas! Dentro do campo, na passerelle com a Fátima Lopes, na capa da Nova Gente, na fila para o concerto dos Tokio Hotel… tens é que ser falado, pá! O teu empresário nunca te disse isso?
- Pois… mas eu não gosto muito deste aparato… se o Costinha me vê assim, acho que desmaia… sabes como ele gosta de roupa cara… e isto parecem uns trapos que os ciganos usavam como cama para os cães deles lá nas feiras. Até deve haver pulgas dentro dos bolsos e tudo… Não sei, não sei…
- Fica à vontade, man, fica à vontade.
- Tu gostas desse fato de treino cor-de-rosa, Miguel?
- É o meu fato de gala. E é Adidas, não brinques.
- Livra!...
- Isto é estilo. Isto é de jogador de elite. Podes falhar poucos passes e teres aquele jogo geométrico e mais não sei o quê, mas tens muito para aprender comigo em termos de moda.
- Isso é mais para a malta nova… os Andrés Villas-Boas desse mundo e coisa e tal...
- Actualiza-te, pá. Hoje em dia, não há nenhuma grande estrela que não seja extravagante. Mete gel, muda de brincos, fala na terceira pessoa, falta ao treino por razões psicológicas, arranja namoradas que sejam modelos.
- Bom… Eu não tenho lábios.
- Sim, és um bocado vampiresco… Mas não chega.
- Olha, eu gosto é de treinar e de fazer girar o carrossel a meio-campo… ser o pensador do jogo… jogar como pivot… quero apenas ser competente… um profissional abnegado.
- Man, ‘tás out. ‘Tás mem’ bué da out. Tipo… fora dela, ‘tás a ver? O pessoal ‘tá todo aqui e tu ‘tás ali. Se fores à África do Sul é apenas por sorte.
- Eu não percebo o que estás a dizer…
- Pois… o que eu digo é muito à frente. É o que os ingleses chamam de “modern talking”.

quarta-feira, março 31, 2010

Os Tanques também Amam

O que têm em comum Fernando Aguiar e um aleatório jogador de futebol, para além de ambos respirarem e serem seres orgânicos?

Provavelmente nada, tendo em conta que o jogador de futebol joga de facto à bola.

Fernando, por outro lado, foi meramente um profissional da área. Existem longínquos relatos de indivíduos que juram tê-lo visto em contacto com a redondinha, mas em todas as situações rumoradas, esse mesmo contacto terá acabado em tragédia:

Foi horrível. Instalou-se o pânico na bancada, as pessoas começaram a correr em direcções opostas, cobrindo os olhos com camisolas e os ouvidos com as mãos. E as crianças, meu Deus! Alguém PENSOU nas crianças?!?”

Jorge “Gazua da Póvoa” Gamboa, companheiro de Aguiar no Beira-Mar de 2000-01, ainda não superou os traumas enfrentados no dealbar de século:

“Nunca mais fui o mesmo. Vi um rapaz dos seus 17 anos a arrancar ambos os olhos com um saca-rolhas. Eu próprio perdi o amor pelo futebol, depois de vislumbrar o Fernando a tentar um passe atrasado sobre a meia-lua, num Beira-Mar – Chaves de 2001. Foi hediondo. Ainda hoje tenho dificuldades em ver trincos com a bola nos pés.”

Fernando, por outro lado, mantém-se à ilharga da polémica. Impõe o físico no duelo 1x1 e sorri perante médios criativos que sejam estúpidos o suficiente para acariciar a redondinha nas suas redondezas. Ser agressivo é crime? Será que o Pensador de Rodin foi criticado por ser demasiado granítico? Fernando é só mais um caso da arte imitando a vida, uma estátua intransponível com responsabilidades de tampão ofensivo. “Estanca a sangria, Nando!”, gritavam-lhe do banco. Ele nunca quis ser odiado. Fernando procurava amor, aceitação. Ele só queria ser amado – e dar porrada.

Serão duas coisas assim tão incompatíveis? O canadiano queixa-se entredentes da incompreensão e ignorância que grassam no futebol luso – a crítica chamusca-lhe o ego, os maliciosos piropos da bancada causam-lhe psoríase, mas o tanque esmaga tudo pelo caminho. Impiedoso, omnipotente, ciclópico.

O colosso da queixada rectangular arrepiou caminho no hercúleo Toronto Blizzard, atravessou o Atlântico a nado (e só com um braço – estava a ler os Lusíadas com o outro) até chegar à Madeira, nadou mais um bocado até à Maia, e foi aniquilando o desporto-rei, relvados vários e canelas aleatórias até atingir o objectivo principal da carreira: destruir um prédio de cinco andares à cabeçada.

E depois, pronto, lá chegou ao Benfica.

A sua contratação causou alguma surpresa, dado que o clube da Luz – apesar de tudo – estava mais habituado a adquirir jogadores de futebol.

Aliás, especula-se que a sua aventura no ex-clube de Alejandro Escalona poderá ter tido a ver com a presença do iraniano Samir Shaker na equipa técnica do mesmo. Os ventos do futebol luso sussurram ainda hoje que o soturno Shaker seria um agente enviado pelo governo de Teerão para aquilatar a disponibilidade de Fernando Aguiar se deslocar ao Médio Oriente para abraçar as funções de arma de destruição maciça na Guerra Santa contra os Infiéis. Samir supostamente já teria levado uma nega de Musa Shannon e Jokanovic no CS Marítimo do ano transacto. Com o cepticismo de Fernando e na sequência de mais uma recusa semi-lusitana à Jihad, Samir Shaker deixaria mesmo o futebol português no final da época, desaparecendo como o vento (ou como Victor Quintana) para parte incerta.

Na sequência da recusa à Jihad - e consequente permanência em Lisboa, Fernando sentia-se lisonjeado por poder partilhar a meia-lua com Andrade:

“Tenho muito a aprender com o Andy. A forma como ele despedaça ossos é lendária. E admiro a subtileza com que ele rasga tendões. Tudo o que envolve o seu jogo é tão etereamente belo, que me apetece dedicar uma Ode às suas proezas.”

Esta épica publicação pela pena de Fernando Aguiar acabou por nunca chegar às livrarias, mas corre a lenda no balneário do Benfica que vários jogadores derramaram comovidas lágrimas ao ler as delicadas estrofes do trinco.

Emanuele Pesaresi compara mesmo Aguiar a um Homem do Renascimento Italiano: “Ele é brilhantti. Suas parolas são tão comoventes e toccantis, que me fizzeram querer abrazzar homens.” Porém, o italiano afiança que as lágrimas foram resultado de outras situações: “Não, não…não houve lágrimas. Quer dizzere, houve, peró foi perché ele nos batia muitas vezes. E doía, doía molto. Porca miseria."

A História de Fernando no Benfica foi bonita. Efémera, como o grosso dos mais tocantes contos de amor, mas sedosa e envolvente como um fio de cabelo de Miguel Veloso. Entre 2002 e 2004, o Estádio da Luz viveu uma frutuosa relação com o trinco, pois não só usufruiu dos inúmeros talentos do jogador mais virtuoso de sempre a sair do Canadá (após Alex Bunbury, obviamente), como também poupou uns cobres no que respeita à demolição do antigo Estádio – conseguindo adquirir as percentagens dos passes da orelha esquerda de Azar Karadas, da coxa direita de Éverson e de um molar de Manuel dos Santos com o dinheiro que entretanto pouparam.

Porém, o grandiloquente canadiano tinha um sonho. Como todo o filho da terra, o Curling era a sua paixão, e por muito ecléctica que a agremiação lisboeta fosse, o desporto das vassourinhas não fazia parte do seu portfólio. Assim, Fernando fez a trouxa, e qual Lucky Luke cavalgando em direcção ao horizonte pintado a tons de pôr-do-sol, deixou a solarenga capital lusa em descoberta do gélido paraíso, de seu nome Landskrona, burgo sueco de fria reputação.

Como bastião maior do Landskrona Boll Och Idrottsällskap, Aguiar conseguiu finalmente preencher mais um vazio da sua gigante alma – manejar uma vassourinha em cima de um parquet de gelo (e destruir um glaciar à cabeçada, mas isso fica para outras núpcias).

Finalmente realizado, Aguiar perdera a raiva, combustível futebolístico de outrora, e era agora um casulo de Paz, um ursinho de pelúcia com fresco odor a lavanda. E a sua performance ressentia-se. No duro campeonato sueco, palco das estrelas e Céu das mais brilhantes constelações da redondinha, Fernando era apenas mais um. A bola atrapalhava, o gelo não ajudava e pela primeira vez na sua vida, o tanque canadiano não ripostava ceifando, arrastando, puxando e maltratando os oponentes. Não. O veterano de tantas batalhas perdera aquilo que o tornara especial.

Assim, só havia uma solução possível - voltar ao local onde fora feliz: onde Fernando Aguiar aprendera a ser Fernando Aguiar. Portu fuckin' gal.

Deixando a meio a tela do sonho pintalgada a Curling, o nosso amigo abandona os barbáricos túneis do Landskrona Boll Och Idrottsällskap para ingressar num clube português cuja sigla é F.C.P. e que conta com Clayton, Folha e Ljubimko Drulovic no ataque. Infelizmente, o calendário segredava o Ano da Graça de 2004 – e o tal F.C.P. era o Futebol Clube de Penafiel, cujo decrépito trio ofensivo cruzava o cautchú em decomposição para a cabeça de Rolf Landerlhardly a Mário Jardel, i say.

Enfim. É o que se arranja. De qualquer forma, não é qualquer um que tem a Honra de poder contar aos netos que formou barreira ao som dos autoritários grunhidos do lendário keeper João Viva, uma espécie de Pedro Roma das divisões secundárias.

Seduzido pela alva barba do Major Valentim, Fernando ainda deu uma perninha tetra-anual no principal grémio da cidade de Gondomar, onde pôde partilhar balneário com o Fumo, coisa que certamente não lhe terá feito bem aos quatro pulmões. Terminou a carreira flirtando com os quarenta, a distribuir fruta ao lado de ícones como Fabeta e Idalécio.

Decididamente, a coisa poderia ter corrido bem pior para a primeira arma de destruição maciça a sair do Canadá – mesmo que a carreira no Curling não tenha sido inteiramente frutífera.


Post Scriptum Cromatium: algumas destas imagens foram desenvergonhadamente surripiadas do bossiânico blog Vedeta ou Marreta.

domingo, janeiro 17, 2010

BiChanos

A união homossexual já está no papel. Era impossível reprimir a vontade do arco-íris durante muito mais tempo. E os sinais eram mais que evidentes. Pegando no futebol, sempre houve comemorações demasiado exuberantes (isto é para ti, André, que apalpaste o Jorge Couto sem pudor em Alvalade) e beijinhos por dá-cá-aquela-palha entre homens musculados, algo que nunca levantou grande celeuma (“ah, eles estão muito contentes”, desculpava-se). Portanto, o futebol, nestas manifestações ocasionais, acabou por ser uma montra de grande visibilidade para a propaganda gay.
Tomai como exemplo a gravura supra – uma amostra do Benfica vintage de 1999/2000, já lá vão 10 anos. Vintage sim, porque de uma só penada juntaram-se ícones da estirpe de Bossio, Sérgio Nunes, José Soares, Okunowo, Uribe, Tote e, claro, Chano, só para não ser exaustivo, já que podíamos passar meses a compilar enciclopédias em torno dos nomes deste plantel.
Dissipadas as subtilezas, esta foto é devastadoramente icónica. Um instantâneo pleno de oportunidade, captando um casamento perfeito a três entre os jogadores em causa, o espaço e o tempo, que podem ser ou não do mesmo sexo (cá para mim, o tempo e o espaço são hermafroditas, embora sejam muito polivalentes dentro das quatro linhas). Só por mera distracção esta gravura não está exposta numa dessas casas do Bairro Alto, ao lado de um pictograma do Ronaldo em tronco nu. Aqui está uma barreira constituída por personalidades marcantes, na qual o preconceito só podia esbarrar com estrondo.

De Machairidis, o relâmpago grego que faiscou pelas bandas da Luz, dizia-se à boca cheia pelo terceiro anal, perdão, anel, que possuía tendências capazes de fazer corar o próprio deputado Miguel Vale de Almeida nas suas delirantes festas de mudança de partido.
Nuno “Amélia” Gomes, o grande falhador de golos (por oposição a “marcador”), dispensa apresentações.
E sobre Calado, bom, é melhor remetermo-nos ao silêncio.
Depois, o infeliz Rojas, no sítio errado à hora errada, parece um caso típico de quem se equivocou nas companhias e acabou num bar só com homens, procurando esquivar-se daquela barreira enquanto é tempo. Aliás, erros eram mesmo com Rojas.

Eles podiam não ser futebolistas de grande calibre – Machairidis até se assustava quando via uma bola a mexer e Nuno Gomes tem enganado muita gente durante toda uma carreira devido à fantástica capacidade de tabelar como se fosse um flipper –, mas nem sempre interessa a técnica ao futebolista, para mais se falarmos no Benfica dos tempos loucos de Vale e Azevedo. Outros valores se devem então erguer. E eles estavam cá todos: a coesão na luta pelos seus direitos, o agarrar firme dos seus tintins, as costas erectas voltadas para os seus postes e a tentativa de, em grupo e com os corpos unidos, impedir que as bolas entrassem no seu reduto.
Lamentavelmente, a mensagem não passou de imediato e estes homens não viram os resultados imediatos do seu combate pela igualdade – para dizer a verdade, eram tempos em que o próprio Benfica mal conseguia chegar à igualdade em termos de placard.
Ânus, perdão, anos passaram e agora sim, imagens como esta são reconhecidas pelo Governo. Honra seja feita aos pioneiros.

Dentro de instantes, não percam a Gala Cromos da Bola 2009.

domingo, dezembro 06, 2009

The Darko Diaries

Olá.

Meu nome é Darko Butorovic e sou croata. Lembrar-se-ão de mim como lateral direito do FC Porto e do Farense. Ao serviço de ambas as colectividades atingi a simpática fasquia de 10 jogos na Liga Portuguesa.
















Gostaria de ter jogado mais, mas tive a feroz concorrência de titãs como Carlos S. e Rui Eugénio, o "Pigmeu". Era assim que eu lhe chamava. Normalmente ele respondia com "croata filho da p***", porém sempre preferi ser tratado por "Darko, a Ameácia da Dalmácia".
Infelizmente só o Mielcarski é que me chamava isso, mas como o polaco dividia o tempo entre a enfermaria, o hospital e o sanatório, acho que só o vi duas vezes na vida. Uma foi no treino onde se lesionou no joelho direito, e outro foi no treino onde perdeu a orelha esquerda. Primeiro pensámos que fosse lepra, mas depois viemos a saber que era apenas uma variante estranha da peste bubónica. Quando soubemos que nos tínhamos enganado, eu e o João Manuel Pinto rimo-nos muito. Adoro diagnósticos errados. Bons tempos.

Por esta altura, os caros leitores já devem estar a interrogar-se sobre o que farei eu neste escabroso blog. Pois bem, hoje recebi o meu primeiro computador (obrigado, Mamã), e o Cromos da Bola, SAD foi generoso o suficiente para me endereçar este singelo convite para escrever umas tretas avulsas. Na verdade, foi o primeiro convite que recebi de um site da internet, desde que o interracialtranssexualwhores.com me perguntou se não queria ser a estrela de um filme deles. Eu disse, "nem pensem nisso, sou muito fraquinho em frente a uma câmara! se quiserem provas, vejam estes dez jogos de futebol nos arquivos da RTP Portugal", e dei lhes as datas. Não me voltaram a ligar...mas eu enviei-lhes o contacto do Chippo. Parece-me que será mais indicado para o que eles pretendem.
















Porém, os administradores e accionistas maioritários do blog pediram-me para fazer uma breve resenha dos meus tempos como artista do cautchú neste País irmão. Assim sendo, não irei divagar demasiado.

Cheguei ao Porto na época de 96/97, supostamente para substituir um eloquente senhor chamado Broas, que actuava na minha posição. O meu concorrente directo era o tímido Neves, um bom rapaz, que teria sido um bom jogador caso tivesse nascido com jeito para jogar à bola. Mas era peixe miúdo comparado comigo, coitado. Escusado será dizer que após meia-dúzia de treinos o meti no bolso. É que...Santo Deus de Virovitičko-Podravska, o pobre do Neves cruzava tão mal, que cada vez que metia o pé à bola, um anjo caía do Céu e a santa face do Senhor enchia-se de lágrimas.

No entanto, por algum motivo que não consegui descortinar, o mijter não confiava no meu toque sedoso e estóico posicionamento defensivo, e enfiou um miúdo cheio de brilhantina a jogar na minha posição. Eu não tenho nada contra o Krstic ou o Lopes da Silva, mas o petiz vinha do insalubre Felgueiras! Quem era ele à beira do condecorado "Darko, a Ameácia da Dalmácia"?
Obviamente que fiz aquilo que nós croatas melhor sabemos fazer: amuei. (pensavam que ia dizer "genocídio de massas"? tristes.)

O mijter voltou a não apreciar o meu balcânico beicinho, e recambiou-me para Split via empréstimo. Mas Darko não gosta de empréstimos. Boicotei aquele que seria o regresso triunfal ao País que teve o privilégio de me ver nascer, quando recusei tomar parte das tradicionais festividades de Natal em Split - lutas de cães até à morte, com o intuito de angariar fundos para caridade e compra de armas brancas. O povo não gostou, chamaram-me egoísta. "As crianças precisam de ti!", vociferavam eles. Mas mal sabiam eles que este acto teria sido premeditado - queria voltar a Portugal, provar que merecia jogar na equipa de Lars Eriksson! Claro que depois dos tumultos que provoquei com a minha nega (morreram 15 pessoas só no Condado de Koprivnička-Križevci no meio dos confrontos), teria que voltar a Portugal. O meu plano resultara.

Na realidade, não foi bem assim. É verdade, Darko estava de regresso ao Porto para mostrar toda a sua divindade canalizada pela lateral direita, mas o Presidente tinha também resgatado outro grande futebolista para disputar comigo o lugar no plantel até à morte. Um croata está sempre pronto para dar a vida pela titularidade, reafirmei eu para quem quisesse ouvir.
Durante quatro semanas refinei as minhas tácticas de guerra. Li Sun-Tzu, tirei um breve cursito em armas de destruição maciça, investi num workshop com um puto chamado Gilles Binya em Guantanamo (por onde andará ele? era bastante promissor...), e viajei até à Bulgária para um retiro de quinze dias com o monge belicista Trifon Ivanov. Este último curso foi-me especialmente útil, pois aprendi finalmente a comer gatos selvagens crus sem regurgitar. Quando era pequenino na minha terra, sempre que comia gatos, grelhava-os primeiro...passava por mariquinhas, obviamente.















Após este reavivar de velhos conhecimentos, dirigi-me ao mijter na minha melhor pose guerreira, com as mãos tingidas a sangue de urso e catana às costas, e apresentei-me para a disputa da posição de lateral-direito. Quando ele me disse assustado que o lugar iria ser disputado com uma bola nos treinos, fiquei muito desiludido. Darko não gosta de Portugueses - demasiado moles.
Mijter afirmou: "És como o apêndice: és obsoleto, ocupas espaço, e ocasionalmente provocas dor, acabando por ter que ser removido à força."
Amuei, e fui de novo emprestado. Passei fugaz pela Holanda, antes de me enfiarem em Faro.

No início até apreciei a mudança. No Algarve finalmente estava livre de portugueses, e sempre podia arranjar confusão com ingleses bêbedos na noite de Albufeira. Não era a Croácia, mas no meu optimismo, admiti que um ou dois genocídios mensais pudessem ser possíveis.
Com tudo isto, distrai-me um pouco do futebol, e acabei por só vestir por uma vez a camisola do Farense. Com muito orgulho, especialmente porque me enganei e peguei na do Dieb. Assim, os adeptos e adversários não conheciam nem o número, nem o nome, nem a cara. Foi um fiasco. E foi também a minha última aparição na 1ª Divisão Portuguesa (e do Dieb também).















Pouco depois, acabei a carreira, de novo na Croácia natal.
De Portugal, um sabor agridoce, como as entranhas de uma girafa bebé. Momentos bons e maus. Mas vinguei-me da dispensa e da falta de oportunidades na Invicta, quando lhes aconselhei a contratação do Ivica Kralj. Pobres diabos.

Agora sigo a vossa bola de longe, sem grande interesse. Aprecio a forma como os remates de fora da área do Pinheiro fazem o Chaló sonhar, e regozijo-me por ver que o ex-clube de Darko ainda não recuperou da minha extemporânea saída, dez anos volvidos.
Agora têm lá um Sapunaru, para quem um passe longo é um long island ice tea, um passe curto é um mini-bar, e um remate de ressaca é levado à letra.

Agradeço a atenção dos leitores do Cromos da Bola, SAD, ao mesmo tempo que me dá bastante pena o facto de não terem nada melhor para fazer do que ler esta vaga dissertação.

Atentamente,
Darko "a Ameácia da Dalmácia" Butorovic

segunda-feira, novembro 02, 2009

Bracara Assusta

Na ressaca do Halloween, dispensamos maquilhagem. Isso é coisa para meninas, bandas dos anos 80 e para o Kenny Cooper. Aqui no Cromos da Bola, SAD, gostamos dos nossos sustos sem corantes, conservantes e aditivos vários. Assim sendo, fomos à pesca.
Como do Oceano não apreciamos Peixe, Lula, Crodonilson ou Estrela-que-não-Pedro-do-Mar, fomos esgravatar no bas-fond da Bracara Augusta, na expectativa que nos saísse um mexilhão de qualidade.
E há melhor mexilhão do que Borçato?
Já dizia a minha mãe, "quem não tem Cao, caça com Borçato". E o vosso escriba, obediente petiz de antanho, assim fez. E que bom susto nos oferece o aguerrido brasileiro! Até parece que estou a ver o plantel do Beira Mar tolhido de medo perante este corcunda de Notre Dame, que não era corcunda, nem de Notre Dame. Nem o Vítor Duarte escapou ao sobressalto, logo ele que era uma espécie de Dinis albino, que não Bino percursor da mosquinha.

Mas nem só de Borçato vive o espavento, e a nossa pescaria trouxe mais bivalves de qualidade.
Vejamos o Caniggia de Alhos Vedros, Pedro Miguel de seu tímido nome, meio sorriso no rosto estampado. Não enganas ninguém, Pedro. Esse encenado esgar de simpatia não cobre a loucura adjacente ao teu olhar. Está lá, Pedro, e toda a gente vê (menos o Gaspar Ramos, porque não sabemos muito bem para onde está a olhar). Esse desatino que te vai na alma é transparente. Conseguimos cheirar o sangue de mil mutiladas vítimas no teu cabelo de pontas espigadas, podemos ver a morte na tua barba negligé de 3 dias. O teu trejeito de felicidade não é senão uma fachada, uma capa para cobrir a mórbida demência que te leva a roer os ossos daquilo que resta do simpático Johnny Rodlund. A tua máscara caiu, Pedro. Nós temos medo. E tu?

Olha no fundo do balde! É um Vado! Lá está ele todo espantado. És feio, mas não metes medo, malvado. Ficas aí ensopado, no fundo do balde pregado, desamparado. Coitado? És pequeno e limitado, mas não temos pena de ti aí no fundo do balde sulcado. Vês o caso mal parado? Não fosses Vado, fosses antes Borçato que é bem mais amado.

Eh lá, sobrou um Chico. E acho que é um Silva. É verdade, grande pescaria.
Um Borçato para o palato, um Vado para o enfado, e um Pedro Miguel para fazer pastel. E como se já não bastasse, calha-nos um Chico no final da festa. E é um Silva!

Não dá para grande abalo de terror repentino, mas é sempre bom para afugentar certas pessoas.
Como dá ares de arrumador, pode ser que o Floris Schaap não queira arrotar 50 cêntimos para deixar a Famel à porta do balneário e venha de autocarro. Quanto mais tarde o antecessor de Nordin Wooter chegar ao treino, mais hipóteses tem o Jorge Ferreira de ser titular. E todos queremos ver o Jójó no tapete verde, não é?


Post Scriptum Cromatium: como podem ver no cantinho aí à direita, o Cromos da Bola SAD é oficialmente uma prostituta da blogosfera: já estamos no Facebook. E queremos ser vossos amigos. (Bod)Unha e carne, como Dani e Domínguez.
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